DUEL TO THE DEATH: JAPÃO VS CHINA

Este filme de 1983 é uma obra-prima que faz uma análise da tênue relação política entre Japão e China no período feudal, uma rivalidade que se estendeu por várias décadas levando essas duas nações a muitos conflitos.

Os mestres em artes marciais e também atores Damian Lau Norman Chu comandam esta obra espetacular interpretando os grandes lutadores chinês e japonês respectivamente, cada um representando seu país num duelo de espadas que irá definir a hegemonia das casas de artes marciais que eles representam e consequentemente sua nação. Este duelo é uma tradição entre os dois países onde os lutadores escolhidos através de rígidas provações representam a força, determinação e moral de cada nação.

O filme é conduzido pelo cineasta Siu-Tung Ching um gênio na arte de filmar cenas de lutas usando efeitos práticos e truques de edição, segundo a fantasia das histórias de artes marciais os grandes mestres possuem a habilidade de conseguir controlar todas as leis da física que regem nossa natureza, uma característica bastante explorada em todos filmes de artes marciais chineses. As cenas de luta entre Ching Wan (Damian Lau) e Hashimoto (Norman Chu) são fantásticas, coreografadas como uma dança, visualmente violentas representando a força física e as estruturas morais de suas convicções, e por muitas das vezes sutis representando os pilares espirituais e o corpo etérico de cada um. A cena final que é a do esperado confronto entre estes dois guerreiros é de uma magnificência cinematográfica espetacular nunca superado por nenhum outro filme de artes marciais desta época, ela representa e culmina toda a grandiosidade deste filme.


Apesar do duelo ser o ponto alto do filme ele tem também várias atribuições artísticas que impressionam e desconcertam, como o uso de sombras e iluminação que dão um efeito visual teatral em várias cenas onde há tensão e conflito verbal entre as personagens, dando enfase nas frases de efeito do roteiro muito bem escrito pelo roteiristas David Lai, Manfred WongSiu-Tung Ching que possui várias reviravoltas e tem um excelente subtexto político e cultural. A fotografia deslumbrante e a bela trilha sonora também são grandes diferenciais. Destaque para os ninjas, as cenas em que eles aparecem são muito bem filmadas e estilizadas.

O excelente roteiro do filme também mostra como estes dois países enxergavam os conceitos de artes marciais nesta era feudal e as empregavam em sua cultura. O Japão usava das artes marciais para o confronto e defesa da honra e da rígida moral visando a subjugação, artes estas representadas pelas as espadas dos samurais. A China com seus monges que são os grandes mestres que dominavam o Kung Fu, uma arte marcial que não é usada como uma estrutura de guerra mas como uma forma de elevação física, moral e espiritual do corpo carnal mas que poderia ser usada pelos pupilos destes mestres contra ameaças à sua nação e sociedade.

Depois do sucesso deste filme na China o diretor Siu-Tung Ching realizou o filme de horror e fantasia ''Uma História Chinesa de Fantasmas''. Com um orçamento bem maior este filme é um dos grandes clássicos do cinema fantástico chinês, sendo esta a sua obra mais conhecida.



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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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