Prelúdio Para Matar: A Obra-Prima de Dario Argento


Profondo Rosso (Itália), Deep Red (EUA) e Prelúdio para Matar (Brasil) é sem dúvida um dos maiores clássicos do cinema italiano, um cult movie excencial para os aficionados por filmes de suspense e terror. O grande mestre Dario Argento concebeu um filme totalmente fora do sistema ortodoxo de se fazer cinema na Europa, tendo como inspiração as obras do cineasta inglês Alfred Hitchcock e dos mestres do cinema de horror italiano como Lucio Fulci, Sergio Martino e Mario Bava (justamente com estes três cineastas, Argento viria a ser o principal artista de um subgênero do cinema italiano denominado de Giallo Movies).

O filme possui uma atmosfera lírica acompanhada por uma trilha sonora intensa e vibrante composta pelo o maestro italiano Giorgio Gaslini e pela a banda italiana de rock progressivo Goblin, numa mistura de música erudita e jazz com reflexões mórbidas da natureza humana natural e sobrenatural. O suspense do filme é conduzindo magistralmente de forma estilosa por Dario Argento que transforma cada cena numa pintura pop art, como a cena em que recria o quadro "Nighthawks", de Edward Hopper. Todas elas são bem coloridas e por muitas das vezes, é claro, macabras com predileção ao vermelho sangue.

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Dario Argento dá um novo olhar sobre a perspectiva do espectador no cinema de horror, seus closes e movimentos de câmeras ousados e pelo o ponto de vista fílmico e artístico é genialmente transgressora, nos convida a adentrar como numa dança neste universo de perversão, morte e mistério conduzido pelo o personagem central interpretado por David Hemmings, que tem um fascínio mórbido pelo o assassinato de uma paranormal que ele testemunhou e não mede esforços para encontrar o seu assassino. Junto com o protagonista, nos vemos tentando desvendar o complexo quebra cabeça saído da mente de Dario Argento, que também escreveu o roteiro do filme.

Nas cenas de mortes, Dario Argento quis que o público se identificasse com o sofrimento dos personagens, todos eles não são assassinados de forma convencional que costuma ser mostrado em filmes de mistério como tiros, enforcamentos, afogamentos e etc., mas são jogados em cima de cantos pontudos de móveis, cortados por vidros, arrastados por carros e esfaqueados, ao conceber o roteiro ele acreditava que muitos dos que iriam assistir ao filme já sentiram as dores provocadas por estas condições e situações, ele não poderia estar mais correto nestas alusões, quem nunca chutou o canto de um móvel ou se cortou com um vidro? Foi ou possui o medo de ser atropelhado e esfaqueado nas atividades cotidianas do dia-a-dia?

Esta obra-prima faz uma metáfora de até onde a obsessão e ambição humana pode ser algo prejudicial, visto que nossa natureza não está apta a entendê-los sem nenhum esforço e sacrifício para controlá-los, sendo assim, eles podem nos levar aos confins mais obscuros de nosso cerne.

 
Esta análise faz parte do projeto Cinema Grindhouse: 250 Clássicos Revisitados.

 
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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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