Cinema Furioso I: Deadpool (2016)

Ao assistir Deadpool eu me vi lendo os seus quadrinhos, esta imersão logo nos créditos iniciais do filme já me deixou fascinado e bastante ansioso para ver o que mais viria ao decorrer do longa, já que na maioria dos filmes de super-heróis tudo vai bem até sua primeira metade perdendo o fio da meada no segundo ato e se transformando numa paródia sem graça de si mesmo no terceiro ato. Não me decepcionei, tudo no filme é perfeito e esta construção deste personagem que é um dos anti-heróis mais amados da Marvel foi genial, digno a seu universo e surpreendente para os fãs não só de Deadpool mas de quadrinhos em geral.

Para quem acompanha o Deadpool nos quadrinhos principalmente a fase magistral do escritor Joe Kelly à frente da personagem sairá do cinema em estado de êxtase, nunca vi uma adaptação cinematográfica tão fiel a um quadrinho mainstream. A construção da personagem em atos desconexos é excelente nos apresentando a personagem enquanto outras ações vão acontecendo, com a narração do próprio personagem que conversa com o público nos fazendo criar uma simpatia imediata com a personalidade hilária e insana de Deadpool numa primorosa quebra da quarta parede (quando um personagem quebra a linha imaginária entre ficção e realidade se conectando com o público), um poder adquirido por Wade Wilson quando ele se transforma em Deadpool pelo o projeto Arma X (Sim, o mesmo de Wolverine!). Uma habilidade que apenas esse personagem possui no universo Marvel, numa inteligentíssima sacada de Joe Kelly nos quadrinhos para também mostrar o quanto Deadpool é totalmente pirado em relação às outras personagens do seu universo.

A narrativa do filme é rápida e simples carregada de um despretensioso humor negro da melhor qualidade fazendo diversas referências a cultura pop de várias gerações. Visualmente o filme está incrível, tudo combina com o espaço fílmico apresentado pelo cineasta Tim Miller, cenografias urbanas absurdas, uniformes cartunescos lembrando o design extravagante dos quadrinhos dos anos 1990, e cenas de ação hiper violentas de tirar o fôlego.

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O que mais chama a atenção em Deadpool nos quadrinhos é a sua aversão aos padrões e a subversão de conceitos principalmente aqueles seguidos a risca por diversos artistas que tem medo de se arriscar em ideias ousadas, escrevendo quadrinhos para agradar um público já acomodado. Quando Joe Kelly começou a escrever Deadpool ele levou isso a enésima potência, a personagem nunca foi tão politicamente incorreta, hilária e sarcástica em relação a industria e seus clichês. Isso é levado também para o filme, aqui a personagem tira sarro com tudo e com todos relacionados a industria cinematográfica ligada às adaptações de filmes de super-heróis, ousando num humor ácido e extremamente engraçado.

Wade Wilson e seu alter ego Deadpool é vivido por Ryan Reynolds numa interpretação imersiva e insana, o filme é levado por ele e todas as cenas em que aparece são relevantes, nada é desperdiçado. O elenco secundário também está sensacional com a atriz brasileira Morena Baccarin como a namorada de Wade WilsonBrianna Hildebrand como a Negasonic Teenage Warhead a adolescente mais problemática da Marvel, Ed Skrein como o vilão AjaxAndre Tricoteux vivendo Colossus numa interpretação de captura de movimentos. Vale ressaltar a personagem Colossus que está incrível, numa construção idêntica da personagem pelas mãos do artista Jim Lee na famigerada fase áurea dos X-Men.

Enfim, assista Deadpool e divirta-se!


https://www.youtube.com/watch?v=61PbrhdaUCQ

 

 
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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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