STRANGER THINGS: PORQUE NÃO GOSTEI DESSA SÉRIE!


Stranger Things é a nova série original da Netflix que faz uma homenagem a cultura pop da década de 1980. Sim, essa pode ser a sinopse dessa série! Sério, o vibe da série foi todo em cima disso, tudo bem, acho legal, sou um grande fã da cultura pop desse período, principalmente dos filmes matinês aventureiros que tinha um lançamento novo a cada semana no cinema e que também fazia os meus dias mais felizes quando esses filmes passavam na Sessão da Tarde (tô velho!).
Tudo bem, a série funciona nos primeiros episódios e realmente consegue te prender em sua trama encabeçada por aqueles garotos legais, nerds e uma afinidade que há tempos não via no cinema ou em séries um núcleo infantil compostos por crianças tão diferentes terem. A ambientação que remete à década de 1980 é primorosa e o trabalho de reconstrução de período também é fabuloso, nesse quesito, eu realmente entendo o vibe da série.
O que incomoda aqui é o roteiro que meio que te engana, nos três primeiros episódios a série já te prepara de forma positiva para aquilo que irá vir, ou seja, suspense, aventura, descobertas, intrigas entre amigos de escola e todo o clichê do gênero matinê dos anos 1980 e que acho bem legal. Eu realmente me empolguei. Mas não, ele pega outros caminhos mostrando um dramalhão de uma mãe que busca desesperadamente o filho desaparecido, um delegado de polícia alcoólatra que tenta conviver com uma grande tragédia e o que para mim foi o pior da série, conflitos adolescentes entregado da forma mais clichê e saturada possível. O roteiro tenta fazer uma homenagem aos filmes matinês dos anos 80 mas a distância entre o genial espírito de criatividade deste período com o caráter aventureiro e nostálgico da série é a mesma que o ET está de sua casa natal, ou do Sloth em dizer uma palavra inteligente! (Entendeu as referências?).
O que salva a série é o núcleo infantil e a atuação de cada um deles é muito bem conduzida pelo o que queria os diretores, cada um com uma personalidade estereotipada, chapada, mas que funciona. Destaque para a atriz Millie Bobby Brown (Eleven) que dá um show de interpretação corporal e expressões já que sua personagem possui diálogos que compõe no máximo três frases, isso durante a temporada inteira. Destaque também para o personagem interpretado por Gaten Matarazzo (Dustin Henderson), que é disparado a personagem mais simpático da série, funcionando muito bem como alívio cômico e servindo como uma ponte para a superação das adversidades e motivação para o grupo.
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As referências aqui vão desde a filmes de horror, ficção científica e aventura dos anos 80 até a jogos de RPG e videogames, literatura (Stephen King que o diga!) e trilha sonora deste período. O que mais gostei dessa série com certeza foi da trilha sonora. Enfim, a série é longa apesar dos poucos episódios, é previsível de um jeito incômodo, possui momentos e furos de roteiro amadores, situações repetitivas e varias estórias secundárias que te tiram totalmente do clima da série.
Ao assistir a essa série me peguei pensando numa coisa, os diversos remakes de filmes dos anos 80 que são feitos atualmente e agora uma série com ambientação nessa década, acho que a industria do cinema e agora a de séries de TV, estão fazendo algo que vão muito além de referências, elas transformaram a nostalgia desse período num negócio. Quando quero ver algum filme de terror, fantasia, aventura, ficção científica dessa época eu procuro os filmes feitos nessa época, porque raios as pessoas, já que eles consomem tanto filmes e séries que remetem a ''nostalgia'' desse período, não fazem a mesma coisa? Porque não, ao invés de transformar séries assim em vibe, filmes como The Thing, The Evil Dead  e Jaws que constantemente aparecem os posteres desses filmes nesta série, não podem ser novamente a vibe do momento? Eu tenho a certeza de que muitos que gostaram dessa série nunca assistiram aos Goonies, Stand by Me, Fright Night, The Monster Squad, Firestarter, Poltergaist, Explorers e etc. Será porque os filmes deste período são considerados ''velhos demais'' para os padrões ou é porque muito mais legal, cult e ''Tarantinesco'' dizer que gosta de algo nostálgico e retrô?
Vai entender a cabeça dessa moçada.

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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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1 comentários:

  1. Netflix é foda em termos de publicidade. Essa série é curta, quem começa a assistir quer saber oq vai acontecer e com essa curiosidade termina a série em dois dias, sai espalhando q a série é foda e as outras pessoas vão assistindo cada vez mais.
    Na minha opinião a série tem muitos assuntos no mesmo núcleo embaralha a história toda, depois q terminei o primeiro episódio minha reação foi: Ufa, finalmente

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