A CHINA E A NOVA ERA DOS BLOCKBUSTERS!




O cinema blockbuster está estreitando laços entre dois países historicamente rivais, principalmente laços econômicos, esses países são a China e os Estados Unidos. A China já vem sendo nos ultimos anos o país que mais consome o velho e bom cinemão pipoca. Os filmes hollywodianos estão batendo todas as marcas de bilheteria neste país, aquela estória, o filme foi um fracasso de bilheteria em vários países principalmente nos EUA, manda ele para a China que pelo menos recuperamos o dinheiro (é bem por aí, sem exagero!).

Pesquisas apontam que em 2017 as maiores bilheterias do mundo serão arrecadadas na China. Por exemplo, o filme Warcraft de 2016 foi um fracasso nos EUA mas foi um estrondoso sucesso na China, arrecadando UR$ 156 milhões em cinco dias, se tornando num fenômeno, o filme terá novas continuações e tudo por causa da bilheteria arrecada na China. Então, não foi atoa aquela rasgação de ceda pro lado da tecnologia espacial chinesa no blockbuster Perdido em Marte (The Martian, 2015) dirigido por Ridley Scott, que também foi um sucesso nesse país.


O que vemos nesta nova tendência chinesa em consumir blockbusters é a essência capitalista adentrando aos poucos em sua cultura através da arte, num país onde ainda há um forte senso comunista em sua sociedade e política, mesmo após a queda do muro de Berlim e o fim desta ideologia, a China ainda manteve laços com o idealismo comuna e o exemplo mais forte disso é sua política econômica um pouco separatista em comparação ao restante do mundo, a forte censura governamental imposta aos seus cidadãos e o ateísmo cultural (uma tendência comuna que não quer dizer nada, mas existe!).

Então, mas como o cinema se tornou tão popular entre sua sociedade? Ele não se tornou, o cinema sempre foi, mesmo com todos os transtornos impostos pela rígida censura do governo chinês ainda foram feitos filmes de muito peso para a história do cinema, lógico que é difícil vermos filmes chineses que criticam o seu governo, eles existem mas infelizmente são censurados. Agora, filmes que criticam como o capitalismo desenfreado está transformando negativamente a sociedade chinesa, desumanizando-a, também existem vários e vão muito bem nas bilheteiras, os mais recentes que assisti foram os filmes O Toque de Pecado (Tian Zhu Ding, 2012) que faz uma crítica feroz em relação a isso e o filme As Montanhas se Separam (Shan he Gu Ren, 2015) que não tem o mesmo contexto ácido mas faz uma crítica subjetiva ao capitalismo, ambos os filmes são dirigidos pelo mesmo cineasta, o chinês Jia Zhang-Ke que aliás é um excelente cineasta político, sua filmografia é impecável.

Um filme que está causando um furor e levantando sérias questões sociais sobre a censura na China é o filme independente Ten Years (2015), um longa de Hong Kong dirigido por cinco cineastas onde cada um conta uma história diferente, este filme está sendo considerado um dos melhores filmes políticos lançados nas ultimas décadas, não apenas por causa do filme em si mas por sua influência subversiva na sociedade asiática. Hong Kong está situado dentro do território chinês sendo um país independente, separado politicamente e economicamente da China desde 1997 mas que ainda sofre uma pesada influencia cultural da China que reflete de forma autoritária em seu governo. Este filme foi considerado subversivo e foi censurado pelo governo chinês fazendo com o que a população se enfurecesse, chegando a fazer sessões clandestinas do filme, ele foi censurado na própria Hong Kong pelo o governo que temeu algum tipo de desavença com a China. Este filme critica as relações culturais entre a China e Hong Kong, mostrando num futuro próximo como será Hong Kong se continuar viver sobre as asas culturais da China, para nós que moramos num país democrático, podemos enxergar este filme como uma distopia mas ele não o é, seu conceito visionário é baseado no cotidiano de um governo que em partes é extremamente totalitário. Abaixo o trailer do filme Ten Years.

           

 Hoje em dia, o governo chinês abriu suas fronteiras para um cinema mais popular, com coisas genéricas, divertidas e logicamente, se o filme foge desses padrões, eles são totalmente decepados pelos órgãos de censura governamental antes de irem para os cinemas, os filmes do Quentin Tarantino que o digam, o filme Django Livre (Django Unchained, 2012) por exemplo teve várias partes censuradas e as cores do sangue nas cenas de ação foram mudadas para preto. Essa abertura para os blockbusters estrangeiros pode ser o começo de uma tolerância maior do governo ou simplesmente uma jogada política antiga regrada a pão e circo, entendam como quiserem.

A parte boa disso na China é que as massas, ou seja, o grande público, não se limitam apenas em esperar o próximo filme de super-herói holywoodiano da semana para lotar os cinemas, eles realmente são nacionalistas neste sentido artístico e cinematográfico e dão um apoio incomensurável a produções chinesas. As massas realmente lotam os cinemas em produções nacionais, as bilheterias destes filmes chegam a serem maiores do que de grandes produções hollywoodianas.

Para se ter uma noção melhor do que são os blockbusers na China eu irei falar em números, essas foram as dez maiores bilheterias na China no ano de 2015, as de 2016 ainda não foram contabilizadas e serão lançadas apenas ao final do ano:

1.Furious 7 (EUA)..................................................$390,910,000
2.Monster Hunt (China)...........................................$381,860,000
3.Lost in Hong Kong (China)....................................$253,590,000
4.Avengers: Age of Ultron (EUA)..........................$240,110,000
5.Jurassic World (EUA)..........................................$228,740,000
6.Goodbye Mr. Loser (China)...................................$226,161,190
7.Mojin: The Lost Legend (China)...........................$187,466,914
8.Jian Bing Man (China)...........................................$186,350,000
9.The Man from Macau II (China)...........................$154,130,000
10.Monkey King:Hero Is Back (China)...................$153,020,000


Em 2017 será lançado o blockbuster estadunidense A Grande Muralha (The Great Wall) com uma produção milionária dirigida por um Chinês, ela será dirigida pelo genial cineasta Zhang Yimou (Lanternas Vermelhas, Herói, O Clã das Adagas Voadoras, Sorgo Vermelho), um artista que prioriza o conceito narrativo visual, seus filmes são visualmente esplendorosos e perfeitos em cada detalhes, uma característica que cabe perfeitamente com os espalhafatosos efeitos em CGI dos blockbusters. Esse filme será uma produção estadunidense com conceitos culturais que visam pretensiosamente ocidentalizar a cultura oriental e que será estrelada por Matt Damon.

Eu não sou um cinéfilo chato que não gosta de mega produções como os blockbusters, eu gosto bastante, mas para mim esses filmes sofrem de vícios, são conservadores demais seguindo padrões estabelecidos na década de 1960 quando esses filmes se tornaram populares, com algumas pequenas e imperceptíveis mudanças e quando um conceito novo dá certo ele é explorado por diversos outros filmes até a exaustão. Para quem analisa filmes ha tanto tempo como eu, já percebeu que se analisarmos um bom blockbuster essa análise será a mesma para qualquer bom blockbuster, assim funciona também para os blockbusters ruins, eles não mudam. Esses filmes precisam de novos conceitos que sejam ousados, como os blockbusters chineses são em termos técnicos e criativos.

Logicamente Zhang Yimou irá barrar nas saias dos executivos conservadores e tecnocratas assim como outros de seus conterrâneos como o John Woo por exemplo, mas penso que com sua popularidade na China o dinheiro falará mais alto e Yimou terá mais liberdade, torço efusivamente que esse seja o começo de uma nova era do cinemão pipoca. Abaixo o trailer do filme A Grande Muralha (The Great Wall, 2017).


           




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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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