LOBO SOLITÁRIO: A ESPADA DA VINGANÇA, 1972 ( ANÁLISE) PROJETO GRINDHOUSE


Lobo Solitário: A Espada da Vingança é o primeiro filme de uma série de seis, e conta a história de como o samurai Ogami Itto e seu filho Daigoro entram em desgraça e seguem o caminho do inferno em busca de vingança, depois de uma conspiração política que culminou numa traição visando o assassinato de Ogami Itto e sua família, onde apenas sua esposa é vitimada.

O filme é uma adaptação do mangá escrito e desenhado por Kazuo Koike, num estilo de quadrinho japonês denominado gekiga ou mangás voltados para o público adulto. O sucesso do mangá foi instantâneo e logo o filme foi realizado, dois anos após o lançamento do mangá em 1972. O cineasta Kenji Misumi foi contratado pelos estúdios TOHO Company para realizar este live action, o diretor era um especialista em filmes de samurais com temática pop voltado para o grande público, anteriormente ele foi o responsável por dar vida ao samurai cego Zatoichi, que havia feito muito sucesso no Japão.

O filme faz uma adaptação bastante honesta e consegue ser tão fantástico como é o mangá, os mitos que envolvem os samurais são colocados aqui de forma filosófica, como dever, honra e orgulho. A ambientação é crível e consegue dar vida ao período feudal japonês com bastantes detalhes históricos, uma era de ouro para os samurais.


O universo criado por Kazuo Koike é fantástico e bastante rico, aqui ele subverte todos os conceitos ideológicos que formam um samurai quando um deles cai na desgraça por ser traído pelo próprio mestre. Um indivíduo que foi condicionado a ser um servo orgulhoso, versado nas artes da guerra é jogado na miséria e todos os ensinamentos que recebeu durante anos para se tornar um samurai, foram mentiras usadas para torná-lo num escravo com uma boa posição social, isso faz com que este indivíduo questione com frieza tudo que lhe foi passado, transgredindo seus princípios, escolhendo o caminho da marginalidade e desgraça pessoal para conseguir a vingança de sua humilhação, carregando consigo seu filho de apenas dois anos, que mesmo em tenra idade, ele acredita que ele seja um amaldiçoado que deve acompanhá-lho no caminho do inferno, o caminho do ronin que se transforma num mercenário, matando por dinheiro, enquanto não encontra os culpados por sua desgraça.

Como todo bom filme ''pop samurai'' este chambara (filmes de samurais e espadas) possui todos conceitos dos filmes desta temática, como violência estilizada, personagens fortes e caricatos, cenas de ação montadas para criar toda o misticismo de um grande guerreiro, que desmembra um ser humano com apenas um movimento da espada.  Este filme, como em todos os outros cinco da série, possui várias cenas antológicas, como por exemplo a cena em que Ogami Itto pede para que seu filho de dois anos Daigoro fizesse um escolha entre o brinquedo e a espada, se ele tiver o desejo natural de vingança ele escolheria a espada, se não, escolheria o brinquedo, se assim fosse, Ogami o mataria o levando para a paz de estar no outro mundo com sua mãe o poupando da vida infernal que ele levaria em busca de sua vingança.

 Ogami Itto o samurai sem mestre ou ronin é interpretado pelo ator Tomisaburô Wakayama um ícone dos filmes exploittations japoneses. O filme é muito bem feito e possui cenas de ação memoráveis que só um mestre como Kenji Misumi pode conceber.



                              CINEMA GRINDHOUSE: 250 FILMES REVISITADOS


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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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