CARTEL LAND: A BESTIALIDADE DA GUERRA CONTRA AS DROGAS



Cartel Land de 2015 com certeza é um dos documentários jornalísticos mais instigantes sobre o crime organizado já realizado, um complexo estudo de como o poder corrompe e de como ele é o responsável pelas mazelas de dezenas de cidadãos inocentes. O documentário aborda questões críveis sobre a importância  do estado ao combate do crime organizado e das tragédias ocasionadas quando o estado se deixa corromper pelos cartéis de tráfico de drogas e também pelo tráfico de pessoas que afligem o México e as fronteiras do país com os EUA.

O cineasta Matthew Heineman conseguiu documentar em vídeo toda a crise que acarretou o México durante o começo, ascensão e queda de um movimento popular que decidiu combater o cartel mais violento e poderoso de todo México conhecido como os Cavaleiros Templários. Um grupo paramilitar formado por civis decidem se armar quando a violência do terrorismo cometido pelos Cavaleiros Templários atingem níveis extremamente alarmantes dominando com o dinheiro do tráfico de drogas, sequestros e tráfico de pessoas todas as esferas e poderes públicos. Este grupo popular combate o crime se utilizando de métodos de milícias, sem nenhum treinamento militar e movidos apenas pelo desejo de vingança coletivo que cria um senso crítico e de julgamento deturpados, baseados em revanchismos e regras de guerra civil, gradativamente mostrando como os oprimidos se transformam em opressores e os bons samaritanos se transformam nos criminosos que antes combatiam.

O que vemos neste poderoso registro cinematográfico é uma crua e violenta realidade que atinge milhares de pessoas, as tragédias vividas por elas são algo abomináveis que nos faz ao começar conhecer suas histórias, apoiar essas milícias anti-cartéis. Em várias cenas pensamos realmente estar num filme de ficção o tamanho que é o absurdo de algumas situações, é impossível não desabar quando descobrimos que aquilo tudo que está sendo mostrado faz parte da realidade daquelas pessoas que pagam um preço alto por terem suas liberdades garantidas, essa estranha sensação se dá pelo trabalho excepcional da equipe de filmagens comandada por Matthew Heineman, que incrivelmente entrou em meio a tiroteios registrando toda a ação e captando momentos de pura tensão transmitindo toda angústia e medo dos envolvidos.


A grande sacada deste documentário foi nos mostrar a realidade política vivida pelo México, uma realidade não tão diferente de quase todos os países da América Latina. A corrupção de todo governo faz com que os serviços básicos para com a população como a segurança seja algo restrito apenas para as classes privilegiadas, enquanto classes menos favorecidas a segurança é transformada num violento movimento de opressão. Vemos o quanto são importantes para o sistema as pessoas pertencentes as classes desfavorecidas, elas são a mão de obra tanto do crime organizado quanto do governo corrupto e os métodos de controle desta população utilizados pelos dois segmentos não são tão diferentes, um utiliza do terrorismo enquanto o outro se aproveita do terror criado para fazer propagandas políticas através das mídias sensacionalistas.

Outra grande sacada do documentário é retratar o quanto é perigoso para uma sociedade quando os cidadãos querem fazer justiça com as próprias mãos, e também as tragédias sociais que acontecem quando o descontentamento e a falta de esperança no governo prevalecem. A civilidade é separada pela a barbárie por uma linha tênue quando não há mais regras a serem seguidas, os monstros que surgem do medo das pessoas e como esse sentimento pode ser aproveitado por oportunistas que através da opinião popular ganham poderes podem ser a ruína de uma civilização, começando por suas bases. Este documentário é algo obrigatório para aqueles que querem conhecer melhor como funciona o sistema político de um país tomado pelo tráfico de drogas e de como essa situação pode ser resolvida, ou não.



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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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