A CHEGADA (Arrival, 2016) - Crítica






Este filme é uma pérola bastante revelante para o gênero de ficção científica atual no cenário comercial, que estão sendo reduzidos a filmes de super-heróis e blockbusters bagunçados, sem nenhuma expressão e permeados de poluições visuais. A Chegada traz novamente uma das características mais expressivas do gênero, que é o mistério, as ocasiões dúbias que instigam a nossa percepção dos questionamentos, revelando a natureza do desconhecido, colocando em pauta a fragilidade do conhecimento humano. E o mais importante, nunca menosprezando o público com explicações científicas em demasia. O filme não se utiliza de efeitos especiais grandiosos, de artifícios baratos para angariar milhões de dólares em bilheteiras, aqui o entretenimento é cerebral e o mistério que é construído, é fascinante.
O filme é uma adaptação do conto História da sua vida escrito por Ted Chiang um dos escritores mais revelantes do gênero de ficção científica deste século. O livro do qual o conto faz parte se chama História da sua vida e outros contos. O filme consegue transpor aquilo que Ted Chiang mais preza em sua narrativa, a destreza de dar uma relevante importância ao lado humano das personagens, tratando este lado de forma cientifica, assim como o faz com a astrofísica. Seus personagens usam a ciência teórica de forma espiritual para desvendar os mais profundos mistérios, a ciência é usada como uma religião.

Mais uma vez o diretor Denis Villeneuve entrega um filme coerente dentro das limitações das liberdades que um grande orçamento oferece, o cineasta que veio de uma escola cinematográfica mais independente tenta de todas as formas transparecer isso neste filme, o seu primeiro de grande orçamento. Denis Villeneuve já tem o seu nome cravado nos anais da sétima arte depois de dirigir a obra-prima Incêndios (2010) , se não viu, largue tudo que estiver fazendo agora e veja!
O grande mistério acerca deste filme é um dos questionamentos mais simples que se possa ter quando a humanidade entrar em contato com espécies de outros planetas, a linguagem. Como podemos nos comunicar com esses seres? Algo simples mas de grande importância considerando os termos de uma boa relação com nossos vizinhos de universo. Será que estamos preparados para este contato? O que eles poderiam nos revelar que mudaria a evolução humana nos quesitos tecnológicos e sociais? Só podemos saber disso, se podermos se comunicar com eles.
Amy Adams faz a personagem Dra. Louise Banks, uma renomada linguista que irá tentar decifrar o enigma que é a linguagem usada pelos alienígenas. Ela está muito bem nesse papel, sentimos a sua impotência em relação a isso e de como esse estudo de algo tão grandioso e desconhecido irá transformar a sua vida. 
O filme, como toda boa ficção científica, faz críticas políticas contundentes, dissertando de forma límpida em sua narrativa se os seres humanos são capazes de se comunicar com espécies extraterrenas se não conseguem se comunicar nem com sua própria espécie. O medo estampado na humanidade que ao invés de transpor as barreiras e vencer esse medo usando sua inteligência para fins pacíficos, de unificação entre povos, cria armas de destruição em massa para se defender disso, querendo dominar o diferente através da violência e do terror. Nações humanas há tempos vem se armando contra aquilo que consideram uma ameça ao seu estilo de governo e crenças, se esquecendo da chave para a boa convivência e pacificidade, a linguagem, saber se comunicar é, com certeza, a grande abertura para a utopia entre povos, a palavra é a mais forte das armas.


           
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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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