FRAGMENTADO/ SPLIT (2017) - Crítica




Este filme com certeza é a redenção do cineasta M. Night Shyamalan perante a legião de fãs que o acompanham desde o Sexto Sentido. Aqui o cineasta e roteirista consegue a partir de uma ideia simples já batida em filmes de suspense fazer algo extraordinário, que mesmo sendo já saturado, em mãos talentosas, sempre estará retornando ao cinema de gênero para surpreender. 
O filme conta a estória de um sequestro de três jovens cometido por uma pessoa que possui o transtorno dissociativo de identidades ou transtorno de múltiplas personalidades. Aparentemente ele comete este crime de forma aleatória e as três meninas aterrorizadas e encarceradas começam a conhecer a faceta de cada personalidade presente em seu algoz. 
O que mais impressiona no filme com certeza é a atuação de James McAvoy (Dennis / Patricia / Hedwig / The Beast / Kevin Wendell Crumb / Barry / Orwell / Jade) que interpreta oito personagens sendo que ele é diagnósticado como tendo vinte e quatro personalidades dentro de si, em uma atuação convincente, ele consegue mostrar características peculiares destas oito personagens, ao longo filme conseguimos identificar cada um deles só pelas expressões e maneirismos físicos dado pelo ator. As personagens femininas do filme também possuem uma presença marcante com destaque para Anya Taylor-Joy, que através do estímulo de perigo e morte eminente tenta sobreviver a esta experiência, ela sente alguma identificação com o sequestrador por também possuir alguns transtornos de origem psiquiátrica.

James McAvoy e Anya Taylor-Joy
O filme tenta transmitir um ar de seriedade ao focar nesse assunto delicado e bastante raro na ciência médica. O transtorno dissociativo de identidades realmente acomete muitas pessoas pelo mundo, mas é algo de difícil diagnóstico e para que possa haver um tratamento adequado, um psiquiatra experiente e profundo conhecedor da doença deve ser o responsável pelo paciente. Aqui este lado sério do filme é mostrado pelo arco onde a personagem de James McAvoy é tratado pela a renomada psiquiatra Dr. Fletcher interpretada pela atriz Betty Buckley, infelizmente este arco não consegue se manter numa narrativa cheia de clichê que aparentemente é complexa, tentando tratar com profundidade esta doença numa narrativa totalmente ficcional que beira o nonsense.  
Aparentemente o filme parece não se limitar naquilo que se propõe, ser uma obra de gênero despretensiosa e tensa. Eu falo aparentemente, porque o cineasta M. Night Shyamalan, prega uma de suas peças conhecidas no público e no ultimo take nos faz mudar totalmente a percepção que tínhamos de todo o filme, uma única cena nos faz querer assistir ao filme novamente com um outro olhar, um breve momento mudando toda uma opinião que já havia sido formada, isso para mim é algo genial. 

O grande diferencial deste filme é tratar de uma forma perspicaz os preconceitos sociais sobre as pessoas que possuem transtornos psicológicos, subvertendo os esteriótipos e tratando com um olhar inspirador quem possui estes problemas.

NOTA: 7,5



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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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