IT: ESTE SIM, UMA OBRA-PRIMA DO MEDO.





Esta nova adaptação do livro IT de Stephen King é com certeza uma obra-prima do terror. O filme é a primeira parte da estória e possui uma honesta e rara interpretação, ele se sustenta em sua sólida estrutura sem apelar para o fútil e como acontece em muitos filmes de terror lançados nos últimos dez anos, IT durante o seu tempo fílmico não se transforma em uma paródia de si mesmo. O filme é uma releitura do clássico livro do icônico escritor, sendo ele o seu primeiro best seller e é considerado por muitos dos seus fãs como o seu melhor trabalho.

O que vemos neste filme é o uso magistral das características narrativas de Stephen King. O terror refletido através do subconsciente coletivo, representações figurativas de traumas e pesadelos inconscientes, o horror psicológico que mescla o místico com o real, ácidas críticas sociais e claro, o lúdico como um recurso narrativo de alívio cômico.

A escolha do elenco do filme não poderia ser mais acertada, as crianças estão perfeitas em suas atuações, representando diversas facetas que vão naturalmente do drama, humor e terror de forma convincentes. A direção de Andy Muschietti está afiada, ele entende o gênero e sabe entregar aquilo que o espectador deseja ver num bom filme de terror, mas não se engane, o cineasta não busca saídas fáceis em jump scares, ele constrói a cena, ele sabe criar um ciclo de tensão, pavor, espanto e horror. O roteiro escrito por Cary Joji Fukunaga respeita a obra original, apesar de algumas drásticas mudanças o filme não foge de sua premissa. Então, não vá ao cinema achando que esse filme é apenas mais um que se sairia muito melhor num parque de diversões assustando e divertindo as pessoas no trenzinho do terror e não dentro de uma sala de cinema.




O que chama a atenção neste filme é a coragem em abordar assuntos tabus, algo que o gênero de horror faz com maestria quando o filme é bem feito e sabe o que quer. O filme coloca o dedo na ferida do bulling (se você é daqueles que acha que isso é mimimi vai sentir vergonha), pedofilia, racismo, pais abusivos, distorção dos valores familiares e delinquência juvenil. A ambientação na década de 1980 ajuda bastante para criar esse cenário. É claro que como acontece em diversos filmes ambientados em épocas diferentes, aqui vemos diversas referências de filmes, músicas e moda da época. A trilha sonora deste filme não chega a ser incrível mas com certeza é sensacional.

O vilão desta obra é genial, com certeza é um dos grandes vilões da cultura pop, o palhaço Pennywise. A personagem é a personificação dos pesadelos infantis, a figura horripilante escondida por trás de máscaras cômicas, o ser bizarro que guarda dezenas de maldades travestido num semblante pueril e divertido. Aqui, diferente da adaptação de IT dos anos 1990 o CGI é bastante utilizado na caracterização física de Pennywise que como uma figura onírica que é, ele é bastante mutável e se transforma em diversas outras figuras que causa medo e repulsa naqueles em que ele se alimenta de seus pesadelos. Então o uso de CGI é importante. 

Na adaptação dos anos 1990 os efeitos técnicos foram usados, algo que datou bastante o filme, apesar da interpretação magnífica de Tim Curry, para mim o Pennywise definitivo do cinema. O ator Bill Skarsgård vive o Pennywise nesta nova versão e faz um ótimo trabalho quando não está sendo substituído por computação gráfica, mas isso não é um problema, até porque os efeitos visuais estão excelentes e aterrorizantes.

Por fim, este filme é um dos melhores filmes de terror feitos nos ultimos anos e entra fácil no top dez de adaptações dos livros de King para o cinema. O filme IT sabe o quer, sabe para o que veio e sabe também o que tirar dos espectadores, isso é algo raro nos filmes de terror. Agora é esperar o segundo filme e espero que a conclusão seja tão bom quanto esse filme é!


TRAILER:


                         




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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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