BRAWL IN CELL BLOCK 99 (2017) - CRÍTICA




         


DIRIGIDO POR: S. Craig Zahler
PAÍS: Estados Unidos da América
ELENCO:
Don Johnson (Warden Tuggs)
Jennifer Carpenter (Lauren Thomas)
Udo Kier (Placid Man)
Vince Vaughn (Bradley Thomas)

NOTA DO CRÍTICO: ★★★★☆- Excelente


Este filme de 2017 é uma obra rara que consegue de forma singular misturar conceitos cinematográficos coerentes com a narrativa apresentada. O filme é uma ode às obras cinematográficas concebidas numa época em que a ousadia e a provocação social formavam suas bases, me refiro aos filmes exploitations norte-americanos da década de 1970.

O cineasta e roteirista S. Craig Zahler consegue trabalhar muito bem se utilizando desses conceitos cinematográficos esquecidos pelo cinema pós-moderno, neste filme ele consegue ser direto, usando o elenco e o ambiente a seu favor, nada no filme acontece em vão, não há termos narrativos recicláveis onde situações confusas são criadas para explicar algo importante no decorrer do filme, a narrativa é linear, indo do monótono ao visceral, sem rodeios e sem frescuras mesclando eficientemente drama com ação.

A personagem de Vince Vaughn é o perfeito anti-herói trazido dos filmes de ação exploitation dos anos 1970. Ele é violento, egoísta, não segue nenhuma regra de conduta e possui dentro de si um senso de justiça deturpado, mas mesmo assim é leal e fará de tudo para proteger quem ele ama mesmo que ele tenha de ser extremamente sádico e cruel. Confesso que esse filme me tirou um sorriso de canto de boca quando os efeitos práticos foram utilizados em cenas de violência, o gore desses efeitos me lembrou os filmes desse período como Coffy, Shaft e The Street Fighter entre outros.

E falando em filmes de ação deste período, posso também mencionar que este filme faz também uma homenagem a um subgênero dentro dos filmes exploitations que se passavam dentro de prisões, dezenas de filmes neste contexto foram feitos, a maioria deles com mulheres como protagonistas.

O filme conta a jornada de Bradley Thomas (Vince Vaughn), um homem atormentado por uma vida pobre e violenta no sul dos EUA e que busca a redenção para com a sociedade tentando - pelo menos nas aparências - se encaixar numa vida normal de classe média, junto com sua esposa Lauren Thomas (Jennifer Carpenter). Logo no começo do filme conhecemos a persona da personagem principal acompanhando a calmaria de sua vida pacata que de repente é quebrada por um ímpeto de violência e fúria incontrolável onde ele destrói um carro com as próprias mãos, voltando novamente para a calmaria até perdoando a esposa por uma conduta lasciva. 

Vince Vaughn está muito bem neste personagem, ele dá alma a este ser perturbado e fechado em seus sentimentos, que comete atos de ternura e depois de pura violência física com um sadismo irracional estampado nos olhos. Vemos também no filme o ator Udo Kier que faz uma personagem que atormenta e dá instruções ao personagem de Vince Vaughn, ele é um ícone dos filmes exploitaitons da década de 1970.

O filme possui certos exageros, não conseguindo surpreender em situações que implorava por algumas reviravoltas e cenas chocantes mas isso não tira a sensação de angústia em acompanhar a trajetória da personagem principal num universo violento e impiedoso, fazendo uma crítica às instituições prisionais dos EUA. Mas o intuito deste filme é ser brutal, cru e marginal e isso ele faz com maestria.



          
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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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