LUCKY (2017): UMA MAGNÍFICA REFLEXÃO EXISTENCIAL





DIRIGIDO POR:  John Carroll Lynch
PAÍS: Estados Unidos da américa
ELENCO:
David Lynch (Howard)
Harry Dean Stanton (Lucky)
Ron Livingston (Bobby Lawrence)
Barry Shabaka Henley (Joe)
Beth Grant (Elaine)
Ed Begley Jr. (Dr. Christian Kneedler)
James Darren (Paulie)
Tom Skerritt (Fred)
Yvonne Huff (Loretta)

NOTA DO CRÍTICO: ★★★★☆- Excelente


Qual seria a despedida honrada a se fazer a uma pessoa que dedicou sua vida inteira a uma profissão? O que será que guardariam de especial para nós ao fim de uma vida e que lembrasse com dignidade do amor que sentimos sobre aquilo que nascemos para fazer e recordando nossa trajetória de uma maneria especial? O nosso papel nesse mundo é um mistério,  nossas vidas são meros vislumbres numa perspectiva cósmica e não passamos de uma partícula de poeira na concepção dos planos magnânimos do universo em que estamos inseridos, em algum momento nós seremos apagados dessa existência e por isso devemos fazer por merecer o milagre que nos foi concebido, o milagre daquilo que chamamos de vida, esse filme é uma ode a vida, uma reflexão existencial magnífica e principalmente, uma singela homenagem ao ator Harry Dean Stanton por sua jornada de dedicação ao cinema e a arte.

O filme mostra de forma melancólica o cotidiano de um idoso de 90 anos de idade, a cada cena sentimos como a monotonia da rotina pode ser algo que verbera nossos sentimentos, nos censurando, mostrando o quanto somos insignificantes, de como quando o ser humano chega a uma idade avançada a rotina pode ser tanto cruel quanto necessária. Mas essa rotina num certo momento do filme será rompida e Lucky (Harry Dean Stanton) será obrigado a repensar em certos momentos de sua vida que ele luta para manter guardados a sete chaves dentro de si.

O ator Harry Dean Stanton, que faz a personagem Lucky que dá nome ao título do filme, consegue nos passar tudo isso apenas com um olhar, com uma mania com as mãos, no seu andar, na forma como ascende um cigarro ou apenas no seu to de voz. As reflexões de Lucky sobre a vida são estranhas, obscuras, profanas e extremamente lindas. É impossível não se emocionar quando Lucky começa a divagar sobre a existência humana, sobre a velhice, sobre quem somos e para onde vamos. Isso não é algo novo no cinema, eu já vi isso algumas vezes em outros filmes, mas aqui é como se tudo fosse feito para entorpecer nossa memória com algo velho e a reprogramar como algo novo.

O diretor deste filme é o iniciante na direção e o ator veterano John Carroll Lynch, ele assim como Harry Dean Stanton, fez diversos filmes mas na maioria deles sempre como coadjuvante. Ele é um diretor perspicaz, soube conduzir bem todas as cenas as deixando sempre nas mãos de Harry Dean Stanton, ele é a personagem central de todo o filme e é nítido a confiança e a admiração que John Carroll Lynch tem pelo o ator. O filme faz algumas referências à obra-prima Paris, Texas que na minha opinião é o melhor trabalho do ator. Esse filme também possui uma trilha sonora avassaladora, mas o ponto alto é a permorface de Harry Dean Stanton quanto toca a música I See A Darkness interpretada por um idoso e também cansado pela vida, Johnny Cash.

O filme possui participações especiais de diversos atores que trabalharam em filmes com Harry Dean Stanton e uma das participações mais marcantes é do cineasta David Lynch, que faz um senhor de idade que perde seu jabuti e a partir dai faz diversas declarações, citações e reflexões sobre a vida e a morte. Uma participação esquisita e metafórica assim como os filmes de David Lynch dos quais Harry Dean Stanton era figura carimbada.

O filme é de Harry Dean Stanton, foi feito para ele e só ele poderia fazê-lo com tanta competência. Sua atuação é magnífica, uma das melhores atuações que vi nos últimos anos mas que infelizmente foi ignorada por críticos, premiações e públicos. Eu considero esse filme do ator Harry Dean Stanton e o disco Blackstar de David Bowie duas das mais belas despedidas de artistas que dedicaram suas vidas inteiras à arte. Lembrando que: Harry Dean Stanton morreu aos 91 anos antes que esse filme fosse lançado.


                                                                     TRAILER:


             
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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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