THE SHAPE OF WATER: UM ROMANCE GÓTICO





DIRIGIDO POR: Guillermo del Toro
PAÍS: Estados Unidos da américa
ELENCO:
Doug Jones (I) O Experimento
Michael Shannon (V) Colonel Strickland
Michael Stuhlbarg Hoffstetler
Octavia Spencer Zelda
Richard Jenkins Giles
Sally Hawkins Elisa
David Hewlett (III) Fleming
John Kapelos Mr. Arzounian
Lauren Lee Smith Elaine
Nick Searcy Hoyt
Stewart Arnott Bernard

NOTA DO CRÍTICO: ★★★★☆- Excelente

O cineasta Guillermo del Toro fez uma das suas obras mais intimistas com The Shape of Water, demonstrando todo seu amor ao fantástico e aos monstros e filmes clássicos do cinema em sua era de ouro. O que vemos neste filme é uma representação da mais pura e singela gratificação de um cineasta aquilo que mais o fascina na arte. Os monstros são representações do inconsciente coletivo perante ao desconhecido, é uma metáfora ao ser humano, expondo o que há de mais macabro, nefasto e por que não, belo em sua psique e essência.

O filme possui uma urgência em querer nos tirar da inercia do cotidiano, de tudo aquilo que possa adormecer nossos sentimentos, nos levando para longe de nossos problemas e dos impropérios que permeiam nossas realidades. E para isso, o cineasta escolhe uma narrativa melodramática simples que todos se identificam de forma lúcida, sem conflitos ou receios de se entregar nesse romance que foge do convencional.

O filme se passa na época da guerra fria, onde capitalistas e comunistas estavam numa busca alucinada por conquistas tecnológicas tentando sobrepujar um ao outro. Nesse cenário, numa parte remota da Amazônia, aparece algo que poderia mudar os rumos desta guerra, um ser que parece um híbrido entre humano e réptil. Ele é capturado pelo governo dos EUA aos comandos do Coronel Strickland (Michael Shannon) e levado para uma base militar onde seria estudado. Nisso ele encontra as faxineiras desta base militar, Elisa (Sally Hawkins) e Zelda (Octavia Spencer) que irão mudar o rumo da trama frustando os planos deste programa militar sórdido.

O monstro do filme é interpretado pelo ator Doug Jones que consegue demonstrar sentimentos através de uma pesada maquiagem apenas com um espetacular trabalho corporal. O design do monstro é feito nos mínimos detalhes, não há nada que demonstre que aquilo seja um ser humano fantasiado, nesse sentido o filme consegue realizar um trabalho magnífico e com certeza, este personagem entra no hall dos grandes monstros do cinema.

O filme é um romance e um melodrama, a câmera rigorosa e apaixonada de del Toro consegue transmitir todas as sutilezas das cenas, é algo mágico de se ver e sentir, principalmente com a trilha harmoniosa de Alexandre Desplat. Apesar do filme em alguns aspectos ter momentos que pareçam artificiais, isso não tira o brilhantismo desta estória que foi feita para emocionar. A estética gótica está magistralmente presente e é de uma beleza ímpar.

O filme toca em assuntos pertinentes que sempre serão um fardo para a humanidade e que também pode ser sua destruição. O filme faz uma crítica da relação do homem com seu ecossistema, aqui os monstros são os seres humanos. Guillermo del toro acertou em cheio em contar essa estória numa era onde havia uma violenta agitação social devido aos segregamentos raciais e uma política conservadora que incentivava a fobia racial e o pânico religioso que quase afundou aquela nação nas trevas da ignorância. Este é um assunto atemporal, um fantasma que sempre voltará para assombrar a humanidade em tempos de crise.

O filme possui seus clichês, mas em alguns filmes o clichê é necessário, ele é o único recurso para se contar bem uma estória e mostrar um ponto de vista. Ele possui cenas que parecem terem sido tragadas de outros filmes, principalmente com o cinema francês, e como não mencionar a polêmica do curta The Space Between Us que foi realizado antes e que possui o mesmo plot de The Shape of Water! Sim, confesso que senti o peso disso em alguns momentos, mas isso não me tirou do filme e nem me entorpeceu.

Esse filme foi feito por um artista que é obcecado (no bom sentido) pelos monstros clássicos da universal e principalmente pelo filme O Monstro do Lagoa Negra de 1954. Guillermo del Toro se identificava com esses monstros que fazendo uma interpretação mais fria, eram as verdadeiras vítimas da estupidez do ser humano que invadiam seus ecossistemas, os perseguiam, os oprimiam e os caçavam como aberrações. Isso é uma metáfora para as pessoas que sofrem com a marginalização e a sordidez de outros seres humanos apenas por serem diferentes.

Enfim, este filme foi feito para aqueles que amam o cinema fantástico e os monstros que neles habitam, feito para os cinéfilos que amam o cinema hollywodiano clássico e sua narrativa mais pura numa época em que o cinema era feito com intuito escapista de entreter, apenas. O filme possui suas cenas mais pesadas, suas críticas sociais tocando em assuntos escarnosos como o preconceito, possui uma violência gráfica mas nada disso é gratuito e faz uma parte essencial na trama.


  TRAILER:


            
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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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