O CONFRONTO FINAL, 1981 (ANÁLISE) PROJETO GRINDHOUSE





Este filme dirigido por Walter Hill e roteirizado por Walter Hill, David Giler e Michael Kane é uma subversão dos valores militares estadunidenses que estamos costumados a ver em dezenas de filmes pró-belicistas que permeiam o cinema mainstream desde o fim da segunda guerra mundial. Walter Hill e David Giler fizeram um acordo com a FOX para escreverem um roteiro para um filme de baixo orçamento, mas este filme deveria ser comercial e no mínimo interessante.

O filme é um libelo contra a disciplina militar e todas as versões distorcidas de humanidade que podem gerir as estruturas emocionais dos soldados. A doutrina militar aqui descamba para a insanidade quando estes soldados são obrigados a não serem mais meras máquinas, quando o instinto de sobrevivência é maior que o instinto de destruição abafado pelo simples comprimento de ordens.

Nove soldados da Guarda Nacional dos EUA, em treinamento de rotina nos pântanos da Louisiana, se veem obrigados a lutar por suas vidas quando um grupo de nativos decidem caçá-los até morte. O cineasta Walter Hill concebeu este filme para ser uma versão militar da obra-prima Amargo Pesadelo (1972), e ele consegue fazer isso com bastante competência no sentido de mostrar toda a tensão, sem rodeios, de um grupo de pessoas que tem de lutar pela própria vida.

O filme já começa nos mostrando que o treinamento militar é algo subjetivo e não prepara os soldados emocionalmente para um combate real. Quando lhes são entregues armas com balas de festim para simular um combate em meio ao terreno selvagem e inóspito dos pântanos da Louisiana, a ingenuidade dos soldados é posta à prova e o comportamento infantil perante a situação é inevitável, para eles é só mais uma brincadeira com armas de mentira. O clima de ''não queremos estar aqui, queríamos estar num bar usando nossas fardas e rodeados por mulheres'' da situação permeia os pensamentos e atitudes dos soldados.


Em meio a melancolia da situação eles decidem acabar logo com aquele treinamento e chegar mais rápido ao ponto de encontro determinado pela logística da simulação, eles encontram umas canoas que estão na margem de um rio mas não tem nenhum dono à vista, mas não sabiam eles que os donos estavam lá e eles não gostam de ser importunados por desconhecidos, começa aí o terror que os colocam à prova, não só no treinamento militar mas também como seres humanos.

No melhor estilo Southern Gothic eles conhecem a receptividade de alguns nativos sulistas dos EUA que tem como inimigo todos que ameaçam seu estilo de vida eremita, a tensão das situações são magistralmente conduzidas por Walter Hill que tem a disposição atores que transmitem aos seus personagens características dúbias de brutalidade e fragilidade perante ao pesadelo que estão vivendo. A dificuldade de se realizar filmagens dentro de um pântano devem ter sido épicas! Um dos pontos magistrais do filme é o seu final tenso e desconfortante que confunde nossos pensamentos. A trilha sonora composta pela guitarra de Ry Cooder também é fascinante.

Os soldados estão indefesos, não conhecem o território, seus inimigos tem a vantagem de serem melhor preparados fisicamente e emocionalmente para a situação de guerra, eles entram frequentemente em conflitos uns com os outros, a hierarquia militar não é mantida e a insanidade e paranoia é algo inevitável. Este filme faz uma crítica através de uma simulação sobre como foi a guerra do Vietnã, e porque não, a todas as guerras que os estadunidenses vivenciam a cada geração há mais de 100 anos.

TRAILER:


                
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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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