HEREDITÁRIO (2018): O HORROR, O HORROR!





O longa metragem de estreia do cineasta Ari Aster não poderia ser algo menos do que fantástico, aterrorizante e sem dúvidas, algo a ser celebrado. O cineasta também roteirizou este ousado filme de horror que conversa com diversos tipos de subjetividades e metáforas que remetem a doenças mentais, ele levanta reflexões sobre a hereditariedade destas doenças que foi cientificamente comprovado, passam de geração em geração através dos genes. O filme também faz uma alegoria a seitas demoníacas que se proliferam nos recônditos da sociedade estadunidense e que abrangem um número considerável de fiéis.

O roteiro escrito também pelo cineasta Ari Aster é incrível em todos os aspectos, os clichês de filmes de horror são usados e extrapolados ao máximo, como: barulhos estranhos que aterrorizam, espíritos nas sombras, possessões demoníacas, mistérios de cunho sobrenatural e outras surpresas. Mas com certeza, o maior mérito desse filme é a construção de sua atmosfera que aos poucos nos apresentam aos personagens e a suas aflições onde tudo culmina em algo aterrorizador e nada previsível.

Outro aspecto extremamente vital para um bom filme de horror são as atuações que devem nos fazer acreditar naquela estória bizarra e totalmente atípica. A atriz Toni Collette faz um brilhante trabalho interpretando uma mãe frustada e ressentida que deve superar traumas e o luto, uma interpretação digna de premiações. O ator Alex Wolff também faz um trabalho excepcional, sua interpretação em alguns momentos é forçada mas com o decorrer do filme se percebe que isso é algo necessário, principalmente quando ele em alguns aspectos infantiliza suas nuances, como num choro por exemplo. O veterano Gabriel Byrne está meio que apagado no filme, mas faz um bom antagonista cético em meio aos acontecimentos sobrenaturais, sendo uma ponte de lucidez entre o fantástico e o real. A atriz mirim Milly Shapiro faz sua estréia neste filme e sua atuação também é brilhante, ela faz uma criança bem diferente das demais que esconde diversos segredos macabros.

Toni Collette numa atuação fenomenal

O filme também faz uma alegoria aos tortos conceitos familiares de uma família desestruturada, onde obsessões de uma matriarca extremamente controladora causa diversas marcas e traumas em toda família. As relações entre mãe e filhos é algo bem explorado aqui, já que ''a mãe são os olhos de Deus nas crianças'' como já dizia James O' Barr.

O filme desperta situações extremamente inusitadas que são mescladas ao cotidiano de uma família, ele consegue ser aterrorizante em todos os aspectos, é impossível ficar impassível aos vários momentos macabros de puro horror psicológico e físico. A trilha sonora do filme é genial, ela foi composta pelo músico Colin Stetson, uma trilha que apura nossos sentidos para o horror apresentado, uma das melhores trilhas sonoras do cinema de horror, que na minha opinião, fica atrás apenas da trilha feita pela banda italiana Goblin para compor a trilha do filme Suspiria de 1977.

O filme é um bom exemplo do tão odiado e idolatrado subgênero do horror chamado de pós-horror ou modern-horror. Ele é um daqueles filmes que levantam diversas reflexões e pode não agradar a todos, principalmente por que ele exige uma certa atenção de quem assiste, já que ele não explica muita coisa e pode possuir diversas interpretações, a minha interpretação deste filme, tentando ao máximo evitar os spoilers, é que ele trabalha muito bem os sintomas, distorções e dissoluções da realidade causada por doenças mentais como esquizofrenia, bipolaridade e depressão.

TRAILER:


             

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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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