UPGRADE (2018): ULTRAVIOLÊNCIA, CYBERPUNK E MUITA AÇÃO.






Upgrade é uma mescla de todos os clichês possíveis do cyberpunk que é um subgênero alternativo dentro da ficção científica. As tendências cyberpunks assim como a estética e críticas sociais estão ali de forma básica visando o entretenimento, mas estão muito longe de serem apenas conceitos genéricos dentro do filme. Upgrade é dirigido e roteirizado por Leigh Whannell que faz aqui sua estréia na direção, sendo ele muito conhecido por ter escrito o excelente e intrigante roteiro do filme Jogos Mortais de 2004.

O filme Upgrade é uma ficção científica de baixo orçamento - custando a bagatela de $5,000,000 - e apesar da grande semelhança de Logan Marshall-Green com Tom Hardy, o filme ainda conta com um elenco desconhecido o que dá um charme a mais de experimental a obra. O ator Logan Marshall-Green que faz o personagem principal Grey Trace é um homem de meia idade rústico e tecnofóbico, que depois de acontecimentos extraordinários se vê em meio a um experimento biotecnológico inovador onde seu corpo é controlado por uma inteligência artificial chamada de STEM. A atuação física do ator onde ele perde a autonomia de seu corpo para a inteligência artificial são impressionantes, principalmente nas cenas de ação. O ator consegue transmitir através de pequenos gestos os seus sentimentos de frustração e revolta, enquanto está impassivo perante ao controle de suas faculdades motoras pelo STEM que usa seu corpo para cometer atos perversos e bárbaros. Eu digo isso sem exagero, sua performance sematológica é realmente digna dos grandes mímicos da era do cinema mudo, dê logo um Oscar pra ele.

Não há muito o que falar sobre a trama desse filme, o roteiro é bem básico há muitos diálogos expositivos e os vilões são bastante caricatos mas se você for um amante ou apenas um apreciador de uma boa ficção científica, esse é o filme certo pra você. O que é muito bem explorado no filme, e que eu achei também mais impressionante, são alguns dos conceitos visuais que são primordiais no cyberpunk japonês, como a extrema fusão de máquina e ser humano e toda ultra-violência desregrada. Eu confesso que, assistindo Upgrade eu me senti vendo alguns animes cyberpunk japoneses da década de 1980, que eram extremos e se preocupavam mais com o visual bizarro e insano do que com o roteiro propriamente dito, como os animes Genocyber e Angel Cop, lógico que o filme é bem mais ameno do que esses animes. Isso abriu um grande sorriso no meu rosto. 

Como já disse, roteiro de Upgrade é bastante previsível em muitos momentos mas ele também consegue nos surpreender. Quando ao final do filme pensamos que já desvendamos o grande enigma que o acerca, vem o roteiro e nos desconcerta mostrando algo até então impensável. Por causa disso, eu terei de assistir ao filme novamente para tentar pegar alguns aspectos revelados somente ao final do filme e que muda certas interpretações e motivações de alguns dos personagens, muda até nossa percepção de algumas cenas que antes pareciam somente clichês e previsíveis, mas que foram feitas propositalmente assim para nos enganar, mas somente em algumas, porque outras cenas são realmente clichês e previsíveis por natureza.


TRAILER:


             

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About leandro godoy

Sou o criador, editor chefe e escritor do site Cinema e Fúria. Gosto dos mais malucos exploitations, aos cultuados filmes de arte até ao mainstream do cinemão pipoca. Meus outros interesses são: odontologia, literatura e música.
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